sexta-feira, 13 de março de 2015

Saudade





A tal saudade armadilha sorrateira...
É invisível mas danada e dá canseira...
Deixa deprê e o peito abafado...
Fere com ferro e depois joga no mato...

É destemida e não sopra brincadeira...
Maquina a mente só pra nós fazer besteira...
E nos machuca feito sapato apertado...
E quando explode fere até com os artefatos...

Dor de cabeça que não tem nenhum remédio...
Onde há dor ela faz o seu ministério...
Não adianta chorar, rir ou reclamar...
Se a tal saudade só passa se o amor chegar...

É tão astuta e não tem um tempo certo...
Aonde passa o seu estrago é bem severo...
Só há uma cura momentânea pra se dar...
É quando vem o nosso amor nos abraçar...

A tal saudade corta mais que uma gilete...
Corte profundo, agudo e ninguém descreve...
Só sente ela quem se atreveu a amar...
E desventuras soube sempre assimilar...

É aceitar o curso natural da vida...
Saber que ela tem voltas e despedidas...
E a saudade sempre torna a voltar...
Tanque blindado, nada vai adiantar...

Só respeita seu coração quando ascende...
Só mesmo um mero mortal acha que entende...
Como uma chama mortal que se desprende...
Como um bote fatal, negra serpente...

Fio de espada que se põe em atacar
Ferida aberta, hemofílica a sangrar
Caiu de podre quem se põe a socorrer
Vírus ebola a matar, sobreviver...

Paulo Jorge
Maceió-AL 01/10/2014

Nenhum comentário: